Baba Yaga: a Senhora do Limiar, entre o Selvagem e o Sagrado
No imaginário eslavo pré-cristão, poucas figuras são tão complexas, ambíguas e profundamente enraizadas quanto Baba Yaga . Ao mesmo tempo temida e procurada, grotesca e sábia, ela ocupa um lugar peculiar no folclore: não é simplesmente uma bruxa no sentido ocidental, mas sim um símbolo arquetípico poderoso , que carrega traços de divindade ancestral, iniciadora espiritual e guardiã de fronteiras — tanto físicas quanto existenciais. Descrita em inúmeras variantes das tradições orais russas, polonesas, ucranianas, tchecas, eslovenas e até bálticas, Baba Yaga geralmente aparece como uma mulher velha, com feições exageradas — nariz pontudo, queixo alongado, cabelos desgrenhados e um corpo que parece ter saído da própria floresta. No entanto, sob essa aparência animalesca ou grotesca, reside um profundo simbolismo. Por Ivan Bilibin A Cabana nas Fronteiras: o Espaço Entre os Mundos Sua morada é uma das mais emblemáticas do folclore europeu: uma cabana sobre pernas de galinha que gira sob...