A Origem e o Significado do Nome de Portugal
O nome Portugal tem raízes muito antigas, que remontam ao período romano e celta da Península Ibérica. Sua origem está em Portus Cale, expressão latina que significava “porto de Cale”.
A povoação de Cale situava-se na foz do rio Douro, região de Vila Nova de Gaia, em frente ao atual Porto. Durante a presença romana e visigoda, o território passou a ser conhecido como Portucale. Mais tarde, no período medieval, esse nome foi adotado pelo Condado Portucalense, núcleo do futuro reino fundado por D. Afonso Henriques no século XII, já com a forma Portugal.
O topônimo Cale aparece em fontes romanas e está associado à região do Douro. Há teorias de que Cale poderia ser o nome de uma deusa tutelar celta, ligada à fertilidade da terra ou ao rio. Isso não é consenso acadêmico, mas aparece em algumas tradições e estudos etimológicos. Outra corrente sugere que Cale derivaria de uma raiz céltica que significa “pedra” ou “terra dura”, sem ligação direta a uma divindade.
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| Périgueux Vesunna Museum - WikiCommons |
Já arqueólogos portugueses e galegos defendem que o nome Cale pode ter sido uma divindade local venerada no noroeste da Península Ibérica. Não há inscrições diretas com o nome “Cale”, mas existem muitas epígrafes romanas dedicadas a divindades célticas locais na Lusitânia e na Callaecia (a Galícia antiga). Isso sugere que o nome da cidade pode mesmo ter vindo de uma deusa protetora.
No mundo celta insular (Irlanda e Escócia), existe a deusa Cailleach (“a velha” ou “a sábia”), ligada à terra, à fertilidade e ao ciclo das estações. Alguns estudiosos sugerem que Cale seria uma forma arcaica ou relacionada a essa mesma deusa, que teria variantes regionais.
No medievo, o nome Cale manteve ressonância mítica. Alguns cronistas portugueses (já na Idade Média) especulavam que o nome tinha origem “antiquíssima” e ligada a povos primitivos que adoravam forças da natureza. A ideia de uma deusa Cale é retomada por folcloristas modernos que buscam explicar a sacralidade do território onde surgiu Portugal.
Embora não existam inscrições diretas que confirmem esse culto, o paralelismo com a deusa Cailleach, cultuada na Irlanda e Escócia, reforça a ideia de uma divindade feminina da terra com diferentes variantes regionais.
Contexto mitológico: O noroeste da Península Ibérica era rico em cultos célticos locais. Entre as divindades mais conhecidas estão:
Cosus – deus guerreiro, associado a Marte.
Bandua – protetor da comunidade e das batalhas.
Nabia – deusa das águas e dos rios.
Reve – deus da força e da abundância.
Trebaruna – deusa do lar e da família.
Nesse cenário, Cale poderia ter sido a protetora da foz do Douro, guardiã do porto e das terras férteis que dariam origem ao nome de todo o país. O nome Portugal, portanto, nasce da fusão entre a geografia, a história e a mitologia. De um simples “porto de Cale”, o termo evoluiu para designar uma região, depois um condado e, por fim, um reino. Ao carregar consigo a memória de uma cidade antiga e talvez de uma deusa esquecida, o nome Portugal é testemunho vivo da profundidade cultural e simbólica que moldou a identidade nacional.
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